Cuidai seus “aliados”

Junho 24, 2008

As últimas notícias vindas do Palácio Piratini relatam um caso em que o próprio vice-governador gravou e divulgou a imprensa uma das suas conversas com um aliado político. Este ato cria um marco na política gaúcha, cria-se aqui de uma terceira forma de fazer política onde antes a situação tinha receio da oposição, agora teme seus próprios aliados, que se utilizam da técnica de “tirar o meu da reta” ao invés de resolver os problemas.

Creio que uma consultoria de marketing adotou este partido, antigamente chamado de PFL, que já mudou seu nome pra se livrar da pesada lembrança do “Mensalão” e agora se denomina Democratas – DEM deseja transparecer uma honestidade inexistente na política onde este não age pensando no bolso próprio e sim no bem maior que é o povo. Tremenda vergonha ver que o próprio aliado critica e joga contra a situação a fim de poder dizer aos quatro ventos ou numa próxima eleição que não aceitou e nem participou de um governo criticado, que tentou mudar e denunciar escândalos, por favor… Caro vice tirar o seu da reta não vai lhe ausentar do peso de sua responsabilidade política de resolver nossos problemas .

Faz tempo que o marketing chegou na política mas casos como este eu não esperava, nesta nova política não existem mais aliados, todos querem apenas uma coisa, provar que não tem culpa de não ter resolvido nada.

Senhores políticos cuidai seus “aliados”.


Porto “Desalegre”

Junho 20, 2008

O aumento da miséria está claro em nossa cidade. Os porto-alegrenses, que circulam pelos locais mais movimentados, vêem a miséria se tornar tão cotidiana quanto pão e leite. A situação se agrava com o aumento de indigentes dormindo em nossos pés e com a quantidade absurda de pessoas pedindo esmola. Teríamos que sair de casa com um caminhão de dinheiro para poder atender a todos os pedintes que nos abordam diariamente. Mesmo em tempo de férias, onde a cidade fica mais vazia e alguns indigentes até migram pras praias, a miséria cresce e aparece, ela está na redenção, em praças, na saída do trabalho, em nosso fim-de-semana, etc…

A miséria me entristece, me causa ao mesmo tempo uma sensação de pena e impotência, me lembra da desigualdade a qual vivemos. Questiono-me de como alguns conseguem ficar cegos diante disso, talvez por viverem tão distantes trancados em escritórios, cercados de assessores e gravatas

2008 é ano de eleição, espero que a erradicação da miséria esteja em pauta !


Cotas

Junho 20, 2008

Hoje na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) existem dois modelos de cotas: para afro-descendentes, que foi o primeiro modelo criado e que será o alvo da minha discussão, e cotas para estudantes egressos do ensino público. Alguns movimentos apoiam e outras pessoas repudiam estas cotas e gerando uma tremenda polêmica. O principal argumento dos contrários é de que a criação de mecanismos facilitadores ao ingresso na universidade tendo como requisito a raça é fascista e discriminatório.

Eu acredito e luto por um mundo em que as pessoas sejam vistas como iguais, e creio que a criação de facilitadores a determinados grupos sociais para o ingresso a qualquer evento esteja longe de ser o ideal, se fosse na programação chamaria isso de “gambiarra”, ou seja , o problema não é resolvido onde se inicia, apenas é amenizado em determinada etapa do processo. O inicio deste problema está no o ensino fundamental, consequentemente no ensino médio, chegando ao ensino superior.

Como eu disse acima, creio num mundo igual em que vivamos em harmonia, mas seria hipocrisia eu dizer que o negro no Brasil é tratado de forma igualitária e é injusto eu mentir que os afro-descendentes não carregam o fardo da escravidão, pior que isso – o negro inicia o jogo da vida com menos um de score . Os contrários às cotas cegam-se para nossa realidade afirmando todos tem os mesmo direitos, e benefícios, que todos possuem as mesmas condições para ingressar na universidade federal. Neste caso a reflexão se faz necessária: Quantos negros trabalham na sua empresa? Destes, quantos possuem cargos de chefia? Poderia também perguntar quantos dos estudantes da sua faculdade são negros? Quantos professores negros você conhece? Quantos empresários negros você já teve algum contato? É Provável que alguma das respostas foi zero, ora! Mas segundo o IBGE 5,3% da população gaúcha é negra, então a cada vinte pessoas formadas no Rio Grande do Sul pelo menos uma deveria ser negra.

Pela o amor de Deus infelizmente o preconceito existe e deve ser combatido, criar mecanismos facilitadores não é descriminação, é sim uma forma de igualar a situação, aquele que entra na Universidade através da política de cotas não deve se sentir menos prezado, nem inferiorizado e sim um guerreiro que luta para qualificar-se e assim ter a chance de modificar nosso quadro social. No meu pensamento cotas não devem existir para sempre, mas sim como caráter provisório, até o dia em que presenciarmos um País diversificado em todas as áreas onde as mesmas oportunidades sejam oferecidas a todos SEM EXCEÇÃO.